A guerreira de lampião

16/04/22 às 09h45



Adriana    Negreiros   nasceu   em São Paulo em 1974 e é jornalista desde 1996,  com passagens  pelas revistas Veja, Playboy e Cláudia, entre outras. “Maria Bonita -sexo, violência e mulheres no cangaço” (Editora Objetiva,  292 páginas, R$ 49,90) é seu livro de estreia, apresentando  a mulher do cangaceiro Lampião a partir de uma perspectiva feminina, descrevendo em cores vívidas o cangaço brasileiro.

Nos anos 1920, mulher decente  não   largava  o marido, quanto mais para fugir com cangaceiro.  Mas Maria Bonita não seguiu as regras.  Abandonou o casamento para se juntar  ao bando de Lampião, passou fome, sede e foi constantemente perseguida pela polícia.  Morreu jovem, aos 28 anos, sem jamais sonhar  que um dia se tornaria  um ícone popular. Décadas depois, passou a personificar a imagem da impetuosa guerreira, a  rainha do cangaço, a Joana d’Arc da caatinga.

Porém, enquanto viveu, segundo é   contado no livro,  ela era apenas Maria de Déa, nascida em Malhada da Caiçara,  no interior da Bahia, segunda filha de dois  sertanejos simples e  de recursos modestos. Nos anos em que viveu com Virgulino  Ferreira, o Lampião,   despertou pouco interesse de  pesquisadores ou jornalistas.  Nas notícias que contavam a  saga  do grupo de bandoleiros que aterrorizava  o Nordeste, ela pouco aparecia e, quando mencionada,  era simplesmente a mulher  do Rei  do Cangaço.  Essa falta de informação sobre Maria de Déa  e as cerca de quarenta jovens  que viviam entre os cabras de Lampião contribuiu   para que se criassem, ao longo do tempo, fantasiosas versões sobre sua vida e  personalidade.

Depreciadas em seus discursos, relegadas   a um plano inferior, essas mulheres   tiveram  seu papel como personagens  históricas no fenômeno  do cangaço.  A jornalista Adriana Negreiros encarou o desafio de  juntar pistas  e  seguir o rastro  de Maria  e  suas companheiras de bando. O resultado  é um relato  impressionante do sertão brasileiro,  dos anos  1920 e 1930, e do papel das mulheres  em um universo marcado pelo domínio masculino.

Segundo    conta  a jornalista,  pesquisar sobre o cangaço é se deparar com violências absurdas, que mais parecem  saídas de filmes de terror. Ela conta  que em dois anos de investigações sobre o tema, entretanto,  nenhuma destas terríveis cenas chocou tanto quanto a mais incômoda das constatações: a de que os relatos das cangaceiras sobreviventes  a Angico  são geralmente desacreditadas em relação à extrema brutalidade da qual foram vítimas.

Conforme    Adriana,    “colocar em suspeição a versão das cangaceiras  faz parte do mesmo padrão e  da mesma lógica que insiste em desqualificar  os relatos das mulheres  quando violentadas.” Diz, ainda, no livro: “Uma distorção atávica, que transforma vítimas em culpadas e procura encontrar  no comportamento feminino as alegadas razões  para justificar a opressão.”

Trecho:
“Como   regra,    depois  da morte de seus maridos,  as mulheres ficavam à disposição dos outros cabras,  como um patrimônio sem herdeiro certo.  Um cangaceiro solteiro poderia,  se quisesse,  pegar a moça para ele.  Se houvesse mais um interessado,  que resolvessem a disputa entre si, amigavelmente. Caso não despertasse o interesse  de ninguém, o mais recomendável era que fosse morta, pois, caso voltasse para casa,  poderia entregar os segredos do grupo  para a polícia.  A presença de mulheres solteiras  era rigorosamente proibida  no bando. Só ficava ali quem tinha dono.”
(página 124)
        
VIOLÊNCIA POLÍTICA    
Em seu mais recente livro, “Sempre foi sobre nós” (Editora Record,  224 páginas, R$ 39,90), a jornalista e  ex-deputada federal Manuela d’Ávila  traz relatos sobre  violência política de gênero. Entre as mulheres que dão seus depoimentos estão Maria do Rosário, Dilma Rousseff, Benedita da Silva, Sônia Guajajara, Tábata Amaral, Isa Penna e  outros nomes femininos importantes da política nacional brasileira. 

A ÁGUIA POUSOU   
Com   cerca  de impressionantes 150 milhões de livros vendidos até hoje,  best-seller do gênero de romances de espionagem, Jack Higgins  morreu no último sábado, aos 92 anos. Autor do famoso “A águia pousou,” que vendeu em torno de 50 milhões de exemplares,  começou a publicar em 1959 e  escreveu 34 romances, com predileção por ambientes da Segunda Guerra Mundial. A obra “A águia pousou,” que foi transformada em filme, conta a história de um comandante nazista que é incumbido de sequestrar o premiê britânico Winston Churchill. 

Leituras:
“Pensar pela própria cabeça custa caro, preço alto. Quem se decidir a  fazê-lo será ferozmente vigiado  pelas ideologias, as da direita e as da esquerda e as volúveis. Ver-se-á acusado, insultado, caluniado,  renegado.  Ainda assim vale  a pena, seja qual for o pagamento, será barato: a liberdade de se pensar  pela própria cabeça  não tem preço.”
 (Jorge Amado (1912-2001), um dos mais famosos e traduzidos  escritores brasileiros de todos os tempos,  com obras adaptadas  para o cinema, teatro e  televisão.

Destaques:
COMO FUNCIONA O FASCISMO

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Autor:
Jason Stanley                     

A curiosidade quanto ao termo fascismo é um fenômeno sem precedentes no mundo contemporâneo.  Jason Stanley, professor de filosofia da Universidade de Yale e estudioso  de propaganda política,  revisita neste livro célebres exemplos de movimentos   ultranacionalistas, da Itália da década de 1920  às experiências do mundo atual,  para mostrar as dez características  fundamentais do fascismo. O livro é um estudo atualizado  que demonstra  como Estados dito democráticos e com ideais liberais estão sendo traiçoeiramente seduzidos pelo canto da sereia  da liderança autoritária.
Editora L& PM.  206 páginas.  R$ 29,90. 
         
SEM ESFORÇO    

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Autor:
Greg Mckeown                            
   

Autor de “Essencialismo,” que vendeu 250 mil exemplares no Brasil,  Greg Mckeown  neste livro oferece conselhos práticos  para  o leitor realizar  suas atividades essenciais  com mais facilidade e, assim,  atingir seus objetivos. Ele apresenta 15 lições curtas, onde o leitor será conduzido a treinar o cérebro  para se concentrar no importante  e ignorar o relevante,  resolver os problemas antes que causem danos, simplificar processos, entender as pausas, definir um ritmo e  transformar  tarefas chatas em rituais divertidos. 
Editora Sextante.  269  páginas. R$ 49,90.           

(As obras apontadas  no Blog dos Livros  podem ser encontradas   junto à Revistaria e Livraria Nascente,  na Rua Saldanha Marinho,   1423, Cachoeira   do Sul)

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Cuidado materno

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Um clássico radical

10/06/22 às 08h50

Deixando coisas para trás

03/06/22 às 08h55

Afeto de mãe

27/05/22 às 08h47

Uma fábula inspiradora

13/05/22 às 09h40

Os labirintos do poder

06/05/22 às 08h35

Transformando vidas

29/04/22 às 09h00

Um jardim especial

22/04/22 às 13h05

Uma mulher extraordinária

01/04/22 às 08h42

Garantindo o futuro financeiro