Eduardo Pitta

Trata-se de um poeta, escritor, ensaísta e crítico literário português. Nasceu em Lourenço Marques em 9 de agosto de 1949. Além de poesia publicou livros de diversos gêneros, entre os quais, crônicas, contos, ensaios, memórias e critica. “Pompas Fúnebres’’, “Cadernos italianos’’ e “Desobediência’’ são suas obras mais relevantes. Poeta das descrições realistas, das minúcias. Da coerência que reflete com lucidez pormenores ínfimos. Recortes cotidianos latentes. Contemporâneo, mas atemporal. Espécie de Marques de Sade corrente. Seu versejar tem na língua e na linguagem a ordem do dia ajustando temas atuais como homossexualismo e proposições de cunho social com peculiar inteligência e fluidez estética. Clássico e hodierno. 

Ocupamos a paisagem
que, desocupada, se
 ocupa de nós.
Tempo de ocupação, este.
Somos o estrangeiro
que o silêncio de paredes
brancas e esquecidas
perturbou.
Extasiado ao menor rumor
de um estio
duro e claro
— Todas lâminas.
Perplexo da memória
destes dias
sufocados em tédio
e cal...
Eduardo Pitta

Esse mundo acabou,
sobrevive-lhe o eco de
algumas vozes.
O homem que erra de cidade
para cidade
conhece a voracidade dos espelhos
o brilho ácido da cal
o reiterado equívoco das marés.
E sabe, soube sempre
que a casa já lá não está.
Nem a casa nem a memória
que quiseram que tivesse.
Varrido por um sopro insaturável
o olhar vacila, acossado
entre ruínas
e a traficada solidão.
Eduardo Pitta

Tinha na retina corpos
imperdoavelmente disponíveis
Diluídos na poeira das multidões,
até um dia.
Eduardo Pitta

Antes de adormecer
Pintar o céu
Engolir uma estrela
Fotografar o silêncio
Sorrir com os olhos
Embriagar-se de música
Vestir o corpo com outro corpo
Cobrir de beijos uma alma
Sussurrar em um peito
De perto pra contra efeito...
Ênio Santos

Cá estou preso a um feriado cristão
Lendo Iching em busca de respostas
Jogando Tarot em busca de perguntas
Estudando os astros em busca de uma conexão
Meditando em busca do sagrado
Orando em busca de alento
Pippo Pezzini

Ser/árvore
Não posso ser árvore
Realçar insetos 
Salivar a chuva 
O quente dos dias secos
Posso ser homem
Celebrar epifanias
Disparar olhares
Que me despem o centro
No oco das árvores 
Cabe um ninho
No das placentas
Um a/feto
Nas extremidades
Longos cabelos 
Diluem as pontas 
De galhos abertos
Não posso ser árvore
Torno-me pedra
Calcifico perdas 
No duro caminho
Entre árvores e seres
Vivo o primitivo
O verde broto
Das manhãs que canto
O proibido fruto
Dentre todas sementes
Ser mente e sentido
Carne e fóssil ungidos.
Gerson Nagel

De volta aos pampas.
Naquele eclipse solar,
Vi o meu destino no poente.
Rumei aos pampas para buscar
Tempo e espaço, tão somente.
Tempo pra fluir o ócio,
Pra viver o tédio.
Espaço pra circular livremente, 
Pra mudança acontecer.
Sou do ar e nele quero estar.
Marcando a cadência do meu ritmo
lento, poético e harmônico 
Que coxilha a dentro, se espraia com o vento.
Salve Pacha

Se um dia me perguntares
A quantas anda minha sorte
Responderei com um acorde
Cingido em um só movimento
– Cego tal qual gadanha da Morte –
Que o maior de meus tormentos
É não enxergar colorido...
Dilso J. Dos Santos

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