Guidugli

No último dia 5 do presente mês faleceu aos 74 anos o professor municipal aposentado Marco Antônio Pereira Guidugli, personagem icônico de nossa história contemporânea e que em 2009 recebeu da Câmara dos Vereadores o título de Cidadão Benemérito de Cachoeira do Sul. Figura afável e inteligente. Guidugli foi um notório resgatador de memórias, saga iniciada por seu pai, Humberto Attilio, fundador da Revista Aquarela. Guidugli foi verbo, substantivo, adjetivo... palavra, texto, contexto... saber andante. Poesia, literatura, história. 

UM VERBO NA PRAÇA 
Guidugliar é verbo transitivo,
precisa dos transeuntes
para se completar.
Verbo que só floresce em praças, 
aduba-se de olhares
e faz fotossíntese ao entregar
o sol para os outros.
Verbo municipal, frutifica adjetivos,
enquanto baú para os tantos idos.
Robson Alves Soares

Ao mestre com carinho
Hoje o dia despertou
Cheio de lembranças...
As ruas da cidade suspiravam saudades
O passado se espalhou em cada rua 
E nos corações...
Um anjo atrapalhado
Buscou meu amigo Guidugli
E de braços dados seguiram rumo ao céu
Mas enquanto os  dois subiam
O anjo todo encantado
Deixou cair um baú, entre bancos da praça
Dali fugiram histórias
Que se espalharam pelas memórias de Cachoeira...
Quase pude ouvir:
"_ Minha musa poetisa da Volta da Charqueada, o que te inspira neste dia?"
Hoje a inspiração
É poesia de saudade
Do professor que viajava comigo
Lá pras bandas do Barro Vermelho
E entre uma lembrança e outra
Se eternizou na memória...
Poesia hoje é a saudade que fugiu do baú!
Até um dia contador de histórias!
Mara Garin

O banco vazio
Dia desses, passei pela praça
E vi que o banco estava vazio
Vazio de histórias,
Vazio de memórias,
Vazio de abraços.
Lembrei dos bons tempos
Quando o professor vinha sentar-se ali
Aquele que subiu aos céus
Com seu baú embaixo do braço. 
Do canto da praça
Podia se ouvir ao longe:
“Sua mãe foi minha aluna!”
“Seu pai foi meu atleta!”
Para cada um, uma história,
Uma gentileza, um afago na alma
Em sua presença, o ansioso se aquieta
Com suas palavras, o nervoso se acalma.
No banco da praça
Da Praça Honorato
O gentil professor encantava
Por suas qualidades de erudito e literato.
Quando o hino da França cantava
Traduzia timtim por timtim 
E diante da plateia boquiaberta, dizia:
“Em latim, essa frase é assim ...”.
Dia desses, deixei a praça
O banco ficou vazio, e agora?
Nunca mais o riso de graça
Nem as conversas jogadas fora.
Fica a saudade do apertado abraço
Quando o professor vinha sentar-se ali
Aquele que subiu aos céus
Com seu baú embaixo do braço.
Sergio da Silva Almeida

Ele passava por mim
caminhando assim meio rengo
- Parava e gritava:
"Olha o Zico do Flamengo"
E depois continuava pelas ruas da cidade
tratando cada pessoa como uma celebridade.
Lembro dele soltando a vóz
no Centro Social Urbano
imitando Pavarotti, o tenor italiano.
Era querido por todos, não buscava fama nem glória,
só queria que alguém parasse para ouvir suas histórias
Era o nosso Forrest Gump, que nunca teve vaidade
Carregava em seu baú as histórias da cidade.
Foi professor muito tempo com seu jeito cativante
e depois passou a ser uma enciclopédia ambulante.
Muitas vezes vi pessoas lhe tratando meio mal
porque não aceitavam seu desleixe pessoal,
mas ele não se importava, nem discutia também,
com seu jeito educado nunca ofendeu ninguém.
Agora já é passado, foi morar junto com os seus,
Foi contar suas histórias, num palco de luz e glória
no céu juntinho com Deus.
Gonçalino Fagundes

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