João Paulo Paes

04/05/22 às 13h40



Nasceu em Taquaritinga, São Paulo em 22 de julho de 1926. Foi poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta. Um dos mais importantes poetas de nossa literatura. Traduziu livros para o inglês, francês, alemão, grego moderno, entre outros idiomas. Lewis Carroll foi um dos autores traduzidos por Paes. Poeta influenciado pelo modernismo e pós-modernismo.  Sua obra foi marcada por uma linguagem quase telegráfica, concisa, de caráter minimalista. Inteligente. Irônica. Poeta da palavra certeira. Lúcida.  Versátil, publicou mais de 30 livros entre poemas infantis e poemas para adultos. 

conciso?   com siso
prolixo?     pro lixo

negócio
ego
ócio
cio
0

O laço de fita
que prende os cabelos
da moça do retrato
mais parece uma borboleta.
Um ventinho qualquer
e sai voando
rumo a outra vida
além do retrato.
Uma vida onde os maridos
nunca chegam tarde
com um gosto amargo
na boca.

Tiro da sua cartola
repleta de astros,
mil sobrenaturais
paisagens de infância.
Sua bengalinha
queima os ditadores,
destrói as muralhas
libertando os anjos.
Calço seu sapato
e eis que percorro
a branca anatomia
de pássaros e flores.
Repito seus gestos
de amor e renúncia,
de música ou luta,
de solidariedade.
Carlitos!
Teu bigode é a ponte
que nos liga ao sonho
e ao jardim tão perto.
José Paulo Paes

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Eva sambista

Na avenida cheia de cores
e luzes,
com muito samba
e descontração,
ela vai pulando e sambando
mostrando toda sua nudez,
sem pudores,
sem complexos,
para toda multidão.
Na quarta-feira,
Véu escuro tapando o rosto,
cinza na testa,
constrita e concentrada(renegada)
ela vai à catedral
confessar seus pecados.
Ajoelhada frente ao Santo
Reza com fé
Sua Ave-Maria de perdão.
Paulo Otto Kämpf  

Consciência da finitude
Minha imaginação concebe o instante
em que o relógio completará
seu percurso pela última vez.
No avesso do paraíso
nuvens de densas trevas
anunciam uma tempestade iminente.
No declínio da noite
um pássaro ensaia
seu canto de despedida.
O conteúdo latente
do pesadelo noturno se materializa
através do monstro que mora
debaixo da cama.
Vislumbro um fantasma
que me aguarda no último degrau da escada.
Sinto a inspiração se dissipar
antes que o poeta
encontre o verso
que completa o sentido do seu poema.
No capítulo derradeiro do livro da vida
antevejo um ponto final
sedento de se transformar numa vírgula
no traçado da existência.
Gabriela Vidal Domingues

UM GRANO SALIS
O sol tinha
aberto passagem 
nas nuvens
Pairava uma sintonia silenciosa
sólida pura visceral
debruçada nas entrelinhas
Percebi que a vida
precisa de olhares
para visualizar 
a profundidade do existir
Zaira Cantarelli

Percepção 
Palavras que refletem a minha verdade,
a sua realidade.
Um mundo novo e inexplorado 
Feito do nunca antes imaginado
Ingenuidade ou genialidade?
Seres presos pelo atrito 
contrariados por ideais em conflito 
Minha visão, percepção 
A sua pode gritar sim 
a minha sussurrar não
Sofia Veiga

Conteúdo
Conteúdo digital e deletável
papel inflamável
e se tivesse respeito
(quem sabe já seria inverno)
Fetiche por sensações
até ser acusado
de academicismo
de dribla coisas, dados aos
improvisos.
Lua em libra
sutil maravilha
Capão ao recheio
a repetição da novela
eis que então me enxerga
Perguntas para próprias respostas.
nunca fui a um oráculo.
Rodrigo Machado

18/05/22 às 17h05

José Carlos Capinam

11/05/22 às 09h10

Dércio Braúna

20/04/22 às 09h11

Gonçalino Fagundes

13/04/22 às 08h48

Lygia Fagundes Telles

06/04/22 às 08h30

O profeta, de Khalil Gibran

30/03/22 às 08h40

Elizabeth Bishop

23/03/22 às 08h30

Zulmira Ribeiro Tavares

16/03/22 às 08h20

Alphonsus de Guimaraens

09/03/22 às 08h34

Dia da mulher

02/03/22 às 08h45

Carnaval com poesia

23/02/22 às 08h30

Acésar Veiga