José Carlos Limeira

29/06/2022 09:30 - por Tiago Vargas



José Carlos Limeira nasceu em Salvador, Bahia, no dia primeiro de maio de 1951. Faleceu em 2016. Publicou contos, artigos, crônicas e poemas desde os anos 70. Foi membro do Coletivo de Escritores Negros Brasileiros e considerado com justiça por críticos e analistas da literatura brasileira como referência de engajamento social e escritor de destaque na temática afro. Suas incursões poéticas refletiam tensões sobre aspectos da realidade do homem negro, a imparcialidade cômoda de sua falsa liberdade. Escrita de caráter político, mas não panfletária. Poesia espontânea, de resgate histórico, herança de Luís Gama e Lima Barreto. Versada em primeira pessoa. Contemporânea. Diversa. Plural.

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Minha poesia não se presta ao chá das cinco na academia
Prefiro falá-la pelas calçadas, nas paradas de ônibus
Molhada do burburinho da cidade, batuques
Minha poesia se pica pela traseira do coletivo sem pagar
Se esfrega no reggae
Vigiando atenta a cabrocha gostosa cheia de truques
Minha poesia nunca será isenta de paladar
Pode se ligar no Hip Hop, no toque
Haja vista seus versos aptos à fila do SUS, acordados antes da luz
A serviço do meu povo, contando seus dramas
Minha poesia pode até passar da hora na cama
Na mais pura desobediência aos patrões
E como podemos supor, não tem métrica nem rimas ricas
Podendo ser rica de palavrões
Ela é mesmo um acinte, mas acima das futricas
Jamais será clássica, fugiu da sala de aula bem cedo
Desassombrada e sem medo
Levou porradas nos porões
Já foi censurada, viajou de carona em longos anos de estrada
Minha poesia está a serviço de levantes e revoluções
Libertou-se da mordaça
Deixou de ficar calada
E se um dia não for à luta e de graça
Será toda de minha amada.
José Carlos Limeira

Me basta mesmo
essa coragem suicida
de erguer a cabeça
e ser um negro
vinte e quatro horas por dia.
(Diariamente)

Falando de nós dois, proibidos
dentro dos dias normais
e deste gosto de desespero
que esqueço no próximo gole de cachaça
para aguentar a desgraça
até poder estar com você
Negra
(Para uma mulher)

Vou expor o gosto das tramas
Estarei em cada gueto
No grito de rebeldia,
Em cada beco,
No atrevimento
De mudar no papel
Os versos dos poetas.
(Consciência)

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ESPERO
Se te espero
É porque te quero
Nem cedo
Nem tarde
Talvez agora
Sem demora
Sem o tempo dos relógios
Que de mim te roubariam
Ao perceberem que te quero.
Te espero
Não sei a hora
Tanta demora
Deve ser mistério.
Mas quando chegares
E minhas mãos te encontrarem
Quando meu beijo for teu
E nada mais importar
E a minha boca for tua
Passe o tempo que passar
E a minha pele já nua
Que se arrepia ao tocar...
Ah! meu amor...
Terá valido a pena esperar
Rodrigo Menezes

Minha geração tem a poesia
Como oração e caderno.
Rodrigo Bantu

O Amor
É este calor...
Que arde no peito...
Quando estás perto...
É o suor...
Que molha...
Nossa cama...
E cola...
Nossos corpos nus...
Que em êxtase rola...
É a saudade...
Que se demoras...
Me invade!...
Ênio Santos

Soltei as mãos
E os pés dançaram
Por noites inteiras
Até findar o solo
E alcançar as manhas azuladas.
Cris MB

Tenho terra em minhas mãos
E nuvem em minha cabeça
No centro do meu corpo, há sangue
A rubra lágrima que me alimenta
E que me dá o tônus da vida
Não quero do futuro e do passado
Nada além do que posso aguentar
Quero força para poder ser leve
E assim levar a vida como nuvem
Por onde o vento puder me guiar
Não tenho guerra em minhas mãos
Não tenho fúrias em minha cabeça
No centro do meu corpo, há um amor
O néctar da alma que me alimenta
E que me dá o sonho da vida
Edison Botelho

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