Lei de adoração

22/06/22 às 10h15 - por Eleni Maria Machado



A adoração consiste na elevação do pensamento a Deus. Assim que o homem aproxima Dele sua alma.

A adoração é um sentimento inato, como o da existência de Deus. A consciência da própria fraqueza leva o homem a curvar-se diante daquele que o pode proteger.

Terá havido povos destituídos de todo sentimento de adoração? Não. Por que nunca houve povos ateus. Todos compreendem que acima de tudo há um Ente supremo.


Adoração exterior


A adoração não precisa de manifestações exteriores por que a verdadeira é a do coração.


E será útil a adoração exterior? Sim, se não consistir num vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo, mas os que somente por afetação e amor-próprio o fazem, desmentindo com o proceder a aparente piedade, dão um mau exemplo e não imaginam o mal que causam.

Mas Deus não tem preferência pela adoração desta ou daquela forma; prefere os que O adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes.

Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma pela qual se exprimam.

É hipócrita aquele cuja piedade esta nos atos exteriores. Mau exemplo dá todo aquele cuja adoração é afetada e contradiz o seu procedimento.


Vida contemplativa


Tem, perante Deus, algum mérito os que se consagram à vida contemplativa, uma vez que nenhum mal fazem e só em Deus pensam?  Não há mérito, porquanto, se é certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem e são inúteis. Ademais, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que o homem pense nele, mas não quer que só nele pense, pois que lhe impôs deveres a cumprir na Terra. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e inútil à humanidade e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito.

Todos almejamos a felicidade. Essa felicidade que ainda não é deste mundo, mas que trabalhamos por alcança-la; a felicidade que espera o justo.

E quando tivermos que prestar contas no tribunal de nossas consciências, onde Deus escreveu suas leis, somente seremos questionados se praticamos a caridade para com todos. Não teremos que responder por essa ou aquela formalidade ou se observamos esta ou aquela prática exterior e nem teremos que responder se cremos de uma forma ou de outra; somente nos será cobrada a prática da caridade. Jesus coloca a caridade no primeiro plano das virtudes porque ela encerra, implicitamente, todas as outras: a humildade, a doçura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc. E porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.


Caridade e humildade, tal é, pois, o único caminho da salvação: egoísmo e orgulho, tal o da perdição. Este princípio esta formulado em termos precisos nestas palavras: “Amarás a Deus de toda a vossa alma e ao vosso próximo como a vós mesmos.” Esse o primeiro mandamento. E eis o segundo, semelhante ao primeiro: “Não se pode amar a Deus sem amar ao próximo, nem amar ao próximo sem amar a Deus, portanto tudo o que se faz contra o próximo, se faz contra Deus.” Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos na máxima: “Fora da caridade não há salvação.”


A prece


Deus coloca ao nosso alcance tudo de que necessitamos para alcançar nosso melhoramento. A prece é uma das mais importantes.


Agrada a Deus a prece? A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, pois, para Ele, a intenção é tudo. Assim, lhe é preferível a prece do íntimo à prece lida, por muito bela que seja, se for lida mais com os lábios do que com o coração. Agrada-lhe a prece, quando dita com fé, com fervor e sinceridade. A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com Ele. A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir e agradecer.


A prece torna melhor o homem? Sim, porquanto aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo.

Mas o essencial não é orar muito, mas orar bem. A sua eficácia não esta na quantidade de palavras, mas na sinceridade de quem ora.

Também podemos, através da prece, pedir perdão pelas nossas faltas. Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que pede perdão a Deus de suas faltas só o obtém mudando de proceder. As boas ações são a melhor prece, por isso os atos valem mais que as palavras.

O Livro dos Espíritos, cap. II – Lei de adoração;
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV.

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