Maíra Ferreira

13/10/21 às 13h16



“Quando era criança tinha medo de borboleta como quem não suporta tamanha delicadeza desde sempre’’.  Esse verso delicado e fatigado de uma realidade insurgente abre o livro A primeira morte, (Editora Raquel, 2014) primeira publicação de Maíra Ferreira.  Nascida no Rio de Janeiro em 1990. Formada em letras e mestre em teoria literária pela UFRJ. A poesia de Maíra caracteriza-se pela grandiosidade perigosa gerada a partir do que é sutil. Singelo. Remete a solidão discreta. Pequenas nostalgias. Poesia da sobrevivência. Do encanto. Da reflexão. De estética contemporânea.  Contraditória. Seus escritos preponderantemente sem rimas rompem com o sentido denotativo de conceitos básicos, abarcam uma rotina caótica, um rito de passagem. Paixão e amargura. Amor e estranhamento. 

Coreografia do absurdo
A sombra
Assombra
O mundo
Desertificado
No solo
Só 
De maio.
Mata Hari dança
Entre ventre e vozes
E apuros
Coreografia do absurdo
O corpo só se cabe
Morto.
Maíra Ferreira

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metamorfose
desde que ela encostou em mim acho que
venho derretendo
primeiro perdi o contorno das pernas
depois o contorno dos braços
quando um dia ela se debruçou sobre mim e um cacho
de cabelo escorregou pela minha bochecha
eu percebi que também tinha ido embora
a solidez do meu rosto
agora tudo me atravessa com mais facilidade
agora meu corpo aberto
recebe o corpo dela
como se fosse uma onda encontrando a outra
desde que ela encostou em mim acho que o meu corpo
está mais composto de água que nunca
tudo é úmido
é fresco
é imenso
tudo é estar com a pele molhada sob o sol
um fôlego oceânico de sereias ancestrais
que entendem
alguma coisa
que ninguém mais entendeu
desde que ela encostou em mim
Maira Ferreira

Mãe
Olhar para você e não poder te ajudar
O mundo é muito grande para você carregar
A depressão te destrói
E não poder te salvar é o que mais dói
Queria te manter segura
Onde a vida não seja uma tortura
Desistiria do céu para ficar ao seu lado
Mesmo que o seu coração esteja quebrado
És a pessoa que me deu a vida
E sou muito agradecida
Saiba que sempre irei te amar
E essa depressão iremos enfrentar.
Mariana Nunes

Tenho ancoradas em mim
palavras líricas
para tecer histórias.
Preciso apenas
desatar os nós 
para delirar.
Zaira Cantarelli

Falsa Razão
Na minha estéril percepção das coisas,
quem passa, derrama em teia falácia
Ilusão de amigáveis companhias que remendam o meu chão.
Procuro imerso em retraído orvalho de esperança
Aquele que por esporádica bata o coração!
No seu desatino o sigo
Mas na memória faz-se projeto a quão seduzir
Que ao olhar-se vê comigo
Sem o direito de fingir
Mesmo que contestasse sua tenuê razão 
Não resistiria ao saber que leigo é o amor para o coração!
Júlia Effell

Fiquei aqui
Fique aqui parada
Sem saber o que fazer
Com cara de apaixonada
Tão triste e tão frustrada
Por não estar perto de você
Fiquei aqui, esquecida
Não sei nem o que falar
E não sei se na minha vida
Virão mágoas tão sofridas
Ou virão versos que me farão sonhar
Fiquei aqui, tão vazia
Não quis o mundo escutar
E não sei se ao meu redor
Virá o bom, ou o pior
Do que na realidade já está
Fiquei aqui, concentrada
É bom parar pra pensar
Só não é bom depois que se pensa
Ficar na dúvida ou na crença
Da solução que se tem que chegar
Fiquei aqui, sem palavras
Sem mais nada a dizer
Gritar, amar, ou indiferença
Tanto faz, não mais se pensa
Nem mais se quer escrever.
Cristina Gomes

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