Blog do Mistério

Nas curvas da estrada de Candelária

03/02/2022 08:50 - por Gisele Wommer giwommer@gmail.com

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Madrugada. Inverno de 2018. A neblina tomava conta da ERS 400, entre Candelária e Passa Sete, o motorista do caminhão vinha de Salto do Jacuí, não tinha intensão de dirigir de madrugada naquele dia frio, mas dera tudo errado mais cedo, atrasado, só queria chegar em Santa Cruz. Foi de repente que a moça saltou em frente ao caminhão, ele não viu de onde veio. No impulso, meteu o pé no freio e viu o motor trabalhar para parar a máquina.

O coração do homem estava acelerado, a respiração ofegante. Não viu mais a mulher quando ela cruzou a estrada. Abriu a porta do caminhão lentamente, nem notou que estava frio devido ao seu estado de espírito. Ao descer não havia nada. Somente a vegetação alta na margem da estrada, o seu caminhão parado no meio da pista e ele perdido na neblina. Sozinho.

Voltou à cabine, acalmou a respiração e seguiu viagem. Quando olhou pelo retrovisor a viu no acostamento. Pouco se distanciou e ela sumiu na neblina. Pegou o rádio e avisou os colegas: “Acaba de acontecer algo estranho...”

Dois dias depois.

Um senhor transitava em sua caminhonete, levava para Sobradinho compras feitas em Cachoeira do Sul. A noite caiu rapidamente, uma cortesia dos dias frios. Ele passava por Candelária quando a mulher se atravessou na pista, ele freou bruscamente, mas já não era tempo, fechou os olhos para não ver o capô se chocando contra aquele corpo frágil. Ouviu a buzina do veículo de trás. Abriu os olhos. Desceu do carro. Nenhum arranhão, nenhuma mulher, nada. Irritado o motorista que vinha atrás desviou de sua caminhonete e seguiu viagem acelerando. O senhor entrou novamente no carro, fechou a porta do motorista e ali estava ela, sentada no banco do carona, uma mulher de branco.

Ele gritou alto e nunca soube precisar o momento em que ela desapareceu. Nem o desespero até que conseguisse fazer o motor voltar a funcionar. Ele chegou em casa nervoso, tremendo. Compartilhou a experiência com amigos e vizinhos e descobriu que não era o único.

Estava acontecendo com frequência. Naquele mesmo lugar.

E o inverno de 2018 ficou marcado pelas aparições da mulher de branco em Candelária. Eram relatos diversos de uma mulher caminhando na neblina, com a cabeça baixa e descalça. Ela nunca falou com ninguém, nunca foi fotografada. Mas a força do boato era tamanha que ganhou as notícias.

E a polícia respondeu que os motoristas deviam tomar cuidado, que se tratava de uma viciada em drogas que morava nas proximidades, não de uma assombração. Pouco tempo depois, houve relatos de que a mulher foi presa em Porto Alegre, onde seguiu fazendo a brincadeira de mau gosto de transitar de branco pelas estradas de noite.

Para aqueles que a encontraram nas noites frias essa não é uma boa explicação. Afinal, nunca divulgaram um nome, ninguém conhecia a tal mulher nas imediações. E ainda há certo medo de transitar pelas curvas de Candelária de noite. Medo de encontrar uma mulher de branco, descalça, sem nome, sem rosto e sem vida.

Curiosidade: Lendas de mulheres de branco de origem mal explicada são contadas de formas diferentes em diversas partes do mundo.

“Era uma lenda. O que acontece é que algumas lendas são verdadeiras”. Motoqueiro Fantasma

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