Blog do Mistério

A rua dos suspiros

29/01/2026 09:21 - por Gisele Wommer giwommer@gmail.com

O pitoresco centro histórico de Colônia do Sacramento, no Uruguai, é repleto de mitos e lendas. Talvez por ter começado a ser construída em 1680 e por ter sido palco de disputas sangrentas entre portugueses e espanhóis, os fantasmas tenham encontrado ali o cenário histórico perfeito para continuarem a se fazer presentes até os dias atuais.

E não são poucos. Há tantos relatos que existem até mesmo passeios guiados dedicados exclusivamente a contar essas histórias, que intrigam tanto turistas quanto moradores locais.

A mais famosa delas envolve uma rua que poderia ser apenas mais uma viela de pedra, mas carrega um nome capaz de provocar arrepios: Calle de los Suspiros. São várias as explicações para a origem dessa denominação, dada à rua estreita que termina às margens do Rio da Prata. Algumas versões falam de amores secretos, mas as narrativas mais convincentes (e perturbadoras) são as macabras.

Dizem que por ali passavam os condenados à morte. Aquele seria o último caminho, a derradeira caminhada rumo ao destino final, muitas vezes ligado às águas do Rio da Prata. Os condenados desciam a rua suspirando, tomados pelo medo e pela resignação. Da mesma forma, as pessoas que assistiam, impotentes, lamentavam o fim irreversível daqueles infelizes, condenados fosse qual fosse a razão, chorando e suspirando junto deles. Assim, a rua teria se tornado um eterno corredor de lamentos.

Outra história fala de um amor com final trágico. Uma jovem aguardava o amado para um encontro às escondidas, durante a noite, quando foi esfaqueada e morta no local. Quando o rapaz chegou, encontrou-a ainda agonizando. Foi ali, naquela rua silenciosa, que ela deu seu último suspiro. As motivações e os desdobramentos do crime se perderam no tempo, mas a tragédia permaneceu viva na memória da cidade.

Eu mesma caminhei pela Calle de los Suspiros numa manhã cinzenta, depois de uma noite de chuvarada, quando a cidade ainda estava quase vazia. As pedras úmidas refletiam a luz do dia que estava começando, alguns cães de rua me acompanharam, como se quisessem mostrar o local.

É um lugar bonito, sem dúvida, mas é impossível não pensar que a rua guarda lembranças que não devem ser esquecidas. Talvez sejam apenas histórias, histórias demais no mesmo lugar… ou talvez alguns suspiros nunca tenham deixado aquele caminho que termina diante do rio.

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