Blog do Mistério
Um antigo ritual de luto
É sabido por todos que o luto é dor, é a dor que fica naqueles que por aqui continuam quando um ente querido acaba se encontrando com a morte. A morte, por sua vez, é tratada de diferentes maneiras nas mais variadas culturas ao redor do mundo. Uma antiga tribo na Indonésia, chamada Dani, possui um ritual de transformar a dor do luto em dor física: não é só para sentir na alma, mas para doer no corpo.
Quando um ente muito querido de uma família morria, amputavam-se as falanges dos dedos das mulheres mais próximas: isso se aplicava à perda de maridos, pais ou filhos. A prática poderia ocorrer de forma bruta, com a utilização de machados ou facas, ou ainda de forma lenta, amarrando os dedos e impedindo a circulação até que eles necrosassem.
Os pedaços de dedos faltando nas mãos faziam a mulher expor a marca da dor por todos aqueles que se foram; suas perdas eram espirituais e físicas. Na cultura Dani, também se acreditava que, além da lembrança eterna dos mortos, o ritual servia para apaziguar seus espíritos.
O governo da Indonésia proibiu a prática de automutilação há muitos anos. Além disso, a modernização e a influência do cristianismo também fizeram o ritual diminuir significativamente na última década, mas não se pode dizer que ele tenha desaparecido totalmente. As mulheres mais velhas ainda vivem com as falanges amputadas, como prova da tradição praticada em sua época.
A Indonésia costuma ser muito excêntrica quando se trata da morte. Em suas seis mil ilhas habitadas, há registros de pessoas que retiram os mortos da cova para passar uns dias com a família; de gente que nem mesmo os enterra antes de completar um ano da morte; e também dos pitorescos caixões coloridos pendurados à beira de penhascos para trazer proteção aos vivos. Algumas dessas práticas já vimos aqui no Blog do Mistério.
Sobre as falanges, historiadores acreditam que a prática pode ter sido comum na pré-história. Analisando várias pinturas em cavernas que retratam dedos faltando (foto), existe uma teoria forte de que rituais sociais e religiosos incluíam a prática com muita frequência em diferentes partes do mundo.
Encontrou algum erro? Informe aqui
