O cartão postal e a assombração

31/03/22 às 08h30



\

A serra gaúcha e seus maravilhosos pontos turísticos. Escondida entre a grandeza de Gramado e Canela encontramos a pacata São Francisco de Paula. Cidadezinha conhecida por muitas pessoas esconde uma história de fantasmas que teve seu início nos anos 30. De frente para o grandioso Lago São Bernardo iniciou-se a construção de um cassino, mas com a mudança da legislação vigente na época, os jogos foram proibidos. Um verdadeiro choque para os empresários. A obra ficou parada por anos a fio, mas foi inaugurada na Década de 40 como um grandioso hotel.

Tão grandioso, que uma biografia não-autorizada de um famoso ex-presidente da república, gaúcho, narra suas peripécias ao cavalgar nu com a amante pelas dependências do hotel. Mas, o foco aqui é o mistério, perdão leitor, hoje estou prolixa, esqueça essa história da cavalgada e foque no fato que vou te contar agora.

Tamanha a grandiosidade do local, certa feita, foi marcado ali um casamento. O casal era da alta sociedade porto-alegrense, as famílias viajaram, se acomodaram para esperar o grande dia. Estava tudo pronto, menos o coração da noiva. Não, ele não pertencia a nenhum outro rapaz, mas ela queria uma chance de escolher o próprio marido e não estava disposta a casar-se com um completo estranho.

Em uma oportunidade, um dia antes da data marcada, confessou ao noivo seu receio. Este não soube ouvir e nem entender. Achou audaciosa aquela mulher que questionava as ordens do pai e resistia em cumprir com sua obrigação. Acabou o noivado ali mesmo, às margens do Lago São Bernardo, mas não sem antes amaldiçoar a mulher, dizendo que ao preteri-lo ela jamais se casaria.

Poucas informações existem sobre esse fato, mas o retorno dos familiares aos seus lares sem a esperada cerimônia foi um escândalo. Todos culparam a mulher, sua família envergonhou-se de sua atitude e ela já não tinha mais certeza de que agiu corretamente. Foi então que vestiu-se com o belo traje branco escolhido pela mãe. Caminhou na noite, na neblina da serra, lentamente do hotel ao lago e pulou nas águas escuras.

Na manhã seguinte foi encontrada vestida de noiva, morta. Assim a festa virou velório. E há quem diga que, depois de tantos anos, ela continua ali perdida e amaldiçoada, atravessando a rua entre o hotel e o lago, vagando pela névoa que se forma nas noites da serra, esperando algo que nem mesmo sabe o que é. Para os sensitivos de plantão, o Lago São Bernardo é um dos locais mais assombrados do Rio Grande do Sul, a presença da alma perdida ali é quase palpável.

Curiosidade: O hotel também tem a fama de assombrado. Há alguns anos um turista deixou uma avaliação negativa em um site de hospedagens, afirmando que não pôde dormir durante a noite, ouvindo alguém chamar por seu nome. “Me senti no filme O iluminado. Não volto mais.” Encerrou assim a avaliação.  

“O verdadeiro cadáver não é o corpo (...), mas aquilo que deixou de viver”. Fernando Pessoa.

23/06/22 às 09h26

O caso Varginha

16/06/22 às 08h30

Um par infernal

09/06/22 às 08h40

A Loira do Banheiro

02/06/22 às 08h45

O cavalo e o cemitério

26/05/22 às 08h37

Quadros de crianças chorando

12/05/22 às 11h00

Um personagem sombrio

05/05/22 às 08h30

A Caixa de Dibbuk

28/04/22 às 09h00

A garota poltergeist

21/04/22 às 09h36

Os fantasmas do Theatro

14/04/22 às 09h55

A moça do táxi