Blog dos Espíritos

A felicidade

03/06/2024 09:21 - por Rosane Sacilotto

A definição de felicidade
Embora a definição de felicidade nos diga que se trata de um estado de consciência plenamente satisfeita, contentamento e bem-estar, esta palavrinha que nós buscamos durante toda a existência tem um significado íntimo para cada um de nós. Por isso, muitos dirão que ser feliz é ter uma vida confortável, sem preocupações financeiras, outros dirão que a presença dos familiares e amigos já é suficiente para nos trazer felicidade. Ainda há os que poderão dizer que ser feliz é encontrar um grande amor, alguém com quem possa dividir os momentos de alegria e os de tristeza. E outros mais dirão que uma saúde perfeita é o que basta para a felicidade.

Outras tantas respostas podem ser enumeradas, e não podemos julgar qual delas está correta e qual está errada, pois felicidade é algo que diz respeito à individualidade de cada um.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo 5, “Bem-aventurados os aflitos”, nos apresenta a seguinte sentença do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Alguns poderiam pensar que tal ensinamento é uma barreira às esperanças que todos temos de encontrar a felicidade verdadeira. Porém, não é esse o propósito desta sentença. Essa verdade traz luz à grande diferença que há entre buscar uma felicidade, por vezes, utópica e ser feliz de verdade.

Há tantos que depositam suas esperanças de felicidade nas ilusões que o dinheiro e as posses materiais podem oferecer. Passam a vida trabalhando para conquistar um império financeiro e mal percebem o quanto são escravos. De repente, quando se dão conta, os filhos já cresceram, os pais já partiram, as amizades já se desfizeram e, nesse momento, nem toda a riqueza acumulada é suficiente para lhes trazer a tão sonhada felicidade. Esquecem-se de que muitas pessoas são verdadeiramente felizes morando em casas singelas, com vidas financeiras limitadas. Portanto, a felicidade não pode estar nos bens materiais.

Muitos outros buscam a felicidade em um grande amor, mas quantas pessoas têm um companheiro ou companheira ao lado e não são felizes? E quantos mais há que, mesmo estando sozinhos, possuem sempre uma alegria nos olhos? Então, a nossa felicidade não pode estar depositada no outro.

A felicidade verdadeira
Então, podemos nos perguntar: onde encontrar a felicidade? Como ser feliz? E na verdade tudo o que necessitamos para sermos felizes está em nossos corações. A máxima do Evangelho nos ensina que a felicidade verdadeira é uma conquista do Espírito, pois todos nós fomos criados para a felicidade eterna, e um dia chegaremos lá. O nosso espírito não é deste mundo, nosso verdadeiro lar é o plano espiritual, então é lá que nós temos maior probabilidade de sermos verdadeiramente felizes. As sensações que temos enquanto encarnados podem ser consideradas momentos felizes, se elas forem sinceras e com amor verdadeiro.

Ser feliz vai muito além de bens, de aquisições, de dinheiro. Quando a humanidade perceber e entender o quão gratificante é amar o próximo, ser feliz pela conquista do outro, sem invejas, e viver somente pela caridade, irá ver o seu espírito transbordar de felicidade, da verdadeira felicidade. Afinal, no plano espiritual não teremos coisas para comprar, nem bens para conquistar, nossa conquista será o aprendizado, o trabalho, a evolução, está será nossa luta rumo à perfeição.

Em “O Livro dos Espíritos”, questão 920, Allan Kardec pergunta: “Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?”. Onde obtém o ensinamento dos Espíritos Superiores: “Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra”.

Desta forma, podemos constatar que é possível ser feliz dentro dos padrões relativos da Terra, seja na concretização dos sonhos materiais, desde que honestos e equilibrados, seja na conquista do melhoramento moral e intelectual do espírito, que surge com a melhoria dos nossos sentimentos e pensamentos.

Felicidade na evolução moral
Joanna de Ângelis, no livro “Lições para a felicidade”, psicografado por Divaldo Franco, diz que temos urgência em nos ajustarmos aos padrões do Evangelho de Jesus se quisermos gozar de felicidade aqui na Terra: “É verdade que não se pode desfrutar de felicidade plena durante a jornada carnal, no entanto, por meio dos atos morais, cada pessoa pode atenuar as aflições que decorrem das experiências infelizes originadas em suas existências passadas”.

Novamente em “O Livro dos Espíritos” vamos encontrar na questão 922: “A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro. Haverá, contudo, algum critério de felicidade comum a todos os homens?”. E a resposta explicativa: “Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro”. Essa resposta dos Espíritos da Codificação sintetiza a medida exata da felicidade comum a todos os homens.

E a fé no futuro a Doutrina Espírita nos oferta em abundância, com a esperança na vida futura, porque somos Espíritos imortais em processo de aprendizagem na Terra, de forma que todos os males são passageiros, já que levaremos para a outra vida as nossas conquistas intelectuais e morais, geradoras da nossa felicidade. Busquemos no exemplo de Jesus viver a caridade e o amor ao próximo, conquistando a felicidade relativa na Terra, alicerçando a verdadeira felicidade que nos chegará na Pátria Espiritual.

KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”; “O Livro dos Espíritos”.
FRANCO, Divaldo Pereira. Joanna de Ângelis. “Lições para a felicidade”.

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