A idade do terror

20/01/22 às 08h20



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O gosto pelo terror é geralmente associado aos jovens. A ideia de adolescentes assistindo a filmes macabros, vestindo roupas pretas e interessados pelo oculto é propagada mundialmente, assim como o fato de pensar que, o terror é uma modinha que tem surgido nos últimos anos, impulsionado pelo cinema americano. Ledo engano.

A história do terror caminha junto com a própria história da humanidade. Os primeiros registros de que homens assustaram uns aos outros foram encontrados nas pinturas dentro das cavernas muito antes da invenção da escrita. O terror nasceu na oralidade. Os homens sentavam-se em rodas ao redor de fogueiras e narravam histórias de morte, violência e tantos outros temas.

E por que isso acontecia? Como toda a explicação mitológica nasce da falta da explicação científica. Era fácil morrer na idade da pedra. Eram os animais selvagens que atacavam inesperadamente, era a natureza enfurecida com seus fenômenos catastróficos, eram as enfermidades desconhecidas assim como sua cura. Desta forma, para alertar os demais, para disciplinar, para relatar os fatos que não sabiam explicar, os homens passaram a assustar uns aos outros. Quem disse que isto não trazia a eles certo prazer?

Esse não é o terror que conhecemos hoje. Não é o terror dos filmes e dos livros, mas foi assim seu nascimento, ascensão e sua propagação por séculos, precisamente, até o Século XVIII. Em pleno iluminismo, quando a ciência lançava luz sobre as trevas e as teorias mitológicas se dissolviam uma a uma, o autor inglês Horace Walpole (foto), publica O castelo de Otranto, uma história escrita unicamente para assustar o leitor. Nascia ali o gênero gótico, que apesar do passar dos séculos continua firme até hoje.

E os britânicos foram os precursores no gótico, já os alemães inseriram o psicológico ao gênero e o terror começou a ser escrito, propagado e criticado por quase 100 anos, até que o mundo conheceu as obras de Edgar Allan Poe. A partir daí a história foi outra. Poe girou para os Estados Unidos os holofotes malditos, digamos assim. Depois dele ter a ousadia de escrever sobre morte, fantasmas, múmias, alienígenas e outras temáticas polêmicas em uma época em que se vivia em uma sociedade extremamente religiosa, Poe mudou a história da dark literatura. Em sua breve vida jamais foi reconhecido por sua obra, mas nos deixou de legado o gênero policial, o horror cósmico e o gênero literário conto.

Poe já se foi, misteriosamente, há mais de 200 anos, mas sua legião de seguidores deu sequência a sua obra. Muito do que você assiste nas telonas do gênero macabro tem a influência dele, através dos autores contemporâneos. Quem escreve terror não era bem-visto e ainda não é, creio que nunca será, mas apesar das críticas e comentários oriundos do senso comum há de se afirmar que muitas pessoas podem não gostar do velho terror, mas dificilmente não esticam a orelha para ouvir quando se trata de um assunto macabro, nem que seja para poder somente criticar.

Curiosidade: Há diferença entre terror e horror. O terror está relacionado ao medo e ansiedade. O horror ao asco ou ficar chocado com algo.

“O mundo é uma comédia para aqueles que pensam, uma tragédia para aqueles que sentem”. Horace Walpole – criador do gênero gótico.

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