A Rainha Cadáver

10/02/22 às 08h50



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Essa é uma história real. Uma história de amor, sem final feliz. Aconteceu há 667 anos, em Portugal. Na época, Dom Afonso IV era o rei, pai de Dom Pedro, por conseguinte o príncipe e herdeiro do trono. Pedro estava prometido à dama Constança Manuel, com quem contraiu matrimônio jovem, por obrigação. Entre as aias da nova princesa estava Inês de Castro, cuja beleza ainda é comentada séculos após sua trágica morte. O príncipe apaixonou-se e foi correspondido, teve um relacionamento secreto com Inês que durou anos.

Secreto?! Nem tanto. Comentava-se entre a nobreza portuguesa e o clero a falta de fidelidade do príncipe à esposa, não que ele fosse o primeiro, não que não fosse comum entre os monarcas, mas o rei não aprovava Inês em função de desavenças com seus antepassados e ordenou que ela fosse exilada, para longe do castelo real e longe do príncipe. Pedro era conhecido por ser ordeiro e respeitador às regras da monarquia, manteve o compromisso com Constança, mas nunca escondeu que seu coração estava com Inês.

Quando ela estava longe, o casal se respondia por cartas. Pedro ia até Inês sempre que era possível. Por dez anos foram amantes, dessa relação nasceram três filhos. Já Constança esteve grávida apenas uma vez e morreu ao dar à luz ao herdeiro. Pedro pensou que seu compromisso com ela estava encerrado, assumiria Inês, casaria com ela, mandou buscá-la do exílio, porém, o rei continuava se negando a aceitar a relação dos dois.

O Rei Afonso recebia muitas denúncias e reclamações em relação à postura do filho. Um certo dia resolveu acabar com aquela história de uma vez por todas. Aproveitou que o príncipe partira para uma caçada e ordenou que três nobres cortassem a garganta de Inês. Pedro nunca perdoou o pai e nunca superou a perda da amada. Quando foi coroado rei, ordenou que os corações daqueles que mataram sua Inês fossem arrancados de seu peito. Um dos executores fugiu para a França, os outros dois foram torturados e mortos enquanto Dom Pedro, então rei, assistia.

Mas o plano de Pedro ainda não estava concluído. Faltava que Portugal reconhecesse Inês como sua rainha, faltava adicionar a amada na história. Assim, ele alegou que havia se casado com ela às escondidas há muitos anos, mandou que exumassem seu cadáver. Em estado de decomposição, Inês fora sentada ao trono e coroada rainha e a nobreza portuguesa, que nunca a reconheceu como nobre, obrigada a beijar os ossos de sua mão.

Essa é uma das mais macabras histórias de amor que se tem notícias, relatada por muitos historiadores, tão perturbadores são os fatos que muita gente jura não passar de lenda. Mas há comprovação histórica de que é verdade. O amor de Pedro por Inês ultrapassou as barreiras da vida.

Curiosidade: No mosteiro de Alcobaça em Portugal estão os túmulos de Pedro e Inês (foto), e estão entre as sepulturas mais visitadas por turistas no mundo.

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Foto: Sara PC Neves

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