Glauber Vieira Ferreira

22/06/22 às 09h50 - por Tiago Vargas



Glauber Vieira Ferreira nasceu em Varginha, Minas Gerais, em 1973. Atualmente vive em Brasília. É formado em psicologia. Participou de várias coletâneas, inclusive algumas delas publicadas em países como Argentina e Alemanha. Possui quatro livros solos, Mosaico e Observadores de formigas, publicações de minicontos e Poesia estradeira e Salada de cores, esses últimos, volumes poéticos. Cora Coralina, Fernando Sabino, Patativa de Assaré, Agatha Christie e Dostoiévski são algumas de suas referências literárias. Escrita fluida, densa e inteligente. Poeta maiúsculo, de linguagem contemporânea.  Seus versos abarcam temas do cotidiano com peculiar lucidez lírica. Ferreira traduz em seus escritos inquietações com metáforas pontuais. Astuto e matraqueado. Extremamente original. 

Glauber é voluntario do projeto Parceiros do Acolhimento, criado pela redutora de danos Suzana Weirich e o paciente Douglas Stancovitti. O projeto cuja sede reside no Ambulatório vida junto Hospital da Liga tem como premissa entre outros cuidados, promover terapias alternativas como leitura e escrita. Várias atividades já foram realizadas, entre as quais saraus e cafés literários. Literatura que se multiplica. Recria. Cultura como bálsamo.

Sobre ditaturas
Os ditadores em suas torres de marfim observam
Como cães de guarda, vigiam a nação
Matam minorias
Lambuzam corpos com as moedas contadas do povo
Sorriem simpáticos para o mundo
Enquanto ignoram armistícios 
Os ditadores, uma noite, acordam com o barulho
Olham a cidade abaixo:
Há luzes e agitação 
São bombas
Mas imaginam serem fogos de artifício. 
Glauber  Vieira Ferreira

Morte
Recebeu a notícia da morte do marido pelas vozes de dois colegas de trabalho.
Homem rude, machista, ciumento
Vítima de um acidente de carro.
Abraçou chorando os mensageiros.
Compreensível, pensaram os dois.
Mas na sua mente, o pensamento:
“Estou Livre’’.
Glauber Vieira Ferreira

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Enveredo pelas vielas
Tristes de um bairro
Gato parvo no meio da rua
Terrenos colocados à venda
A casa grande e velhas muretas
Dividem lembranças antigos vizinhos
Tijolos rebocos ali descansados
Em meio ao silêncio soturno
Uma nesga de lua observo
Rosto em nalgum plano reconheço
Resvaladas nos dedos
Restam folhas secas caídas
A resfolegar do corpo
Sinto que estou vivo ainda
Que o nome disso seja apenas tristeza.
Gerson Nagel

Poema V
Um grito no silêncio
O som da lua
A catástrofe da cocaína
E a dor 
Horas que findam
Mãos que puxam 
Uma caixa no chão 
E o pó 
Olhos vermelhos 
Tremores coléricos 
Inconformidades incoerentes 
E o delirium 
Olhos fechados 
Sonhos com ratos
Assombrações nos teus pés 
E o distúrbio 
A insignificância 
A negligência 
O canto dos olhos 
E o vazio 
A raiva sociável  
O dedo no gatilho
Os maldizeres 
E o ódio 
A arte de ver o bom
Um grito de alegria 
Cores no rosto
E a dopamina 
André Carvalho

ninho 
nesse emaranhado
de incertezas
preciosas delicadezas
que todo peito carrega
uma massa 
difusa
incolor
tecido sensível 
do amor 
ocupa espaço
entre beijos
gracejos
abraços
Marion Cruz

Guardadora de sorrisos
A gentileza na primeira fala 
a guardadora de sorrisos 
com a chave de cada sala 
aguardava quem chegava.
Graças ao meu esquecimento 
lembrei do ser humano completo.
Ela guardou meu guarda-chuva
 perdido, molhado e fechado 
 entregou com sorriso aberto.
Transformou em guarda-sol...
meu guarda-chuva preto.
Na saída ou na entrada 
hoje a distância de um deserto   
mas, a saudade sorridente 
estará sempre por perto.
Cleiton Leal
Homenagem para a Noeli Grings (NECA) 

INFÂNCIA
Saudade da minha casa
Do pé de limão...
... É solidão.
Saudade da boemia
Dos bares malditos...
... Madrugadas frias.
Saudade do fogão de lenha
Da sala escura...
... Pensamento constante.
Saudade de minha alma
Que anda sempre vazia...
... Esperança infinita
Saudade do portão
Da visão que dava para rua...
... Imaginação.
Que saudade da velha canção
Do radio de pilha...
... Suavidade.
... Suavidade bem discreta
Que entra pela minha janela...
... São coisas que não voltam mais...
Jorge Ritter

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