José Carlos Capinam

18/05/22 às 17h05 - por Tiago Vargas



Poeta e músico. Jornalista, roteirista, produtor cultural, médico e publicitário. Nascido na cidade baiana de Esplanada, em 1941 José Carlos Capinam, conhecido simplesmente como capinam, 80 anos,  é considerado um dos maiores letristas de nossa história recente.  Participou ativamente de um dos movimentos mais significativos da música tupiniquim.  O tropicalismo.  Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Edu Lobo, Moraes Moreira, Gal Costa, Tom Zé, Rogério Duprat, Jards Macalé, Fagner e Torquato Neto são apenas alguns de seus parceiros de composições. Soy loco por ti América, clássico escrito junto com Gilberto Gil é sua canção mais conhecida. Compositor e escritor contumaz e onipresente. Poema inquisitorial foi seu primeiro livro publicado. Mestre das metáforas.  Preocupação social e política são temas constantes em sua obra de linguagem pungente e arguta.
 
Poema intencional
Há em cada substância a sua negativa
e a possibilidade de processo.
Processo inexorável a ir ao fim
meta a ser de pão e flores:
A rosa será uma outra rosa
e nós já não seremos
vejo nos olhos tristes
um filho possível
vejo na árvore antiga do parque,
uma cadeira, uma muleta, mas sobretudo um aríete
descubro na boca angustiada
o hino pronto e pesado:
é inevitável o acontecimento
mas procuro ser um elemento,
Carrego em mim a utilidade
sei que posso dar existência
e na minha total renúncia
utilizo-me para um bem maior:
tenho que colher a rosa
e transformá-la
tenho que possuir Maria
e dar-lhe um filho
tenho que transformar a árvore do parque
em cadeira, em muleta mas, sobretudo em aríete
José Carlos Capinam

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Escrever é resistir
Onde poucos leem
Nestes tempos imprecisos
Por que escrever
Por que usar os velhos signos
Se há tantos indignos
Que não se prestam a ler
Nossa voz se perde
Milhares de vozes sucedem
E já não se escuta ninguém
Passou o tempo da escrita
A imagem agora é a bendita
E tudo se deseja ver
A velocidade aniquila beleza
Internet de todas tristezas 
Escrever é oficio de dor.
Bagual Silvestris

Versos e Vinhos
Meu verso
De amor
Se desfaz
Inteiro
Pelo mundo
Ocre...
Quebrado o
Ritmo
Desarticuladas
As rimas
Nada mais
Resta...
Do que foi
Uma obra
Prima.
Mas a ele
Mui pouco
Importa...
Segue seu rumo
Assoviando
Pela rua torta.
Mas o tempo
Este consola(dor)
Faz brotar
Em meu peito
Mudas de primavera
Para florir
Sonetos
Redentores
De quimeras.
Liane Korberg

Sair do umbigo quente
Sair do umbigo quente
É coisa de gente que sente
A dor do outro
Que chora e geme
A dor dos sem vestes
Dos sem teto
Resilientes, sobreviventes
De um Sistema Torpe, demente
Que desconhece a equidade
E o verdadeiro sentido de ser gente
Sair do umbigo quente
É não ser expectador
Conivente das falsas benevolências
É viver na irmandade que nos une
Querer para o mundo
O que queremos para gente
Oportunidades de verdade
Não as momentâneas caridades
Para descargo de consciência
Sair do umbigo quente
É abraçar o outro com seus cheiros
E suas desvalias
E olho, no olho
Lembrar seus direitos
E juntos caminharmos
Para não perder o humano que existe
E resiste em cada um de nós.
Magalhe Oliveira

Poema do Arco-íris  
A opção humana 
por caminhos alternativos 
é direito inegável.
Escolhe-se a casa,
Automóvel e profissão 
Consulta-se o cardápio   
Para expressar a decisão 
Com autoridade 
Declaramos que é normal 
Ou deixa de ser?
De que certezas dispomos 
neste mundo 
-Olhos vendados –
bandeja passando?
Como emitir a sentença,
absolver, condenar,
nesta ânsia universal 
que cada um carrega 
de beber 
de qualquer cálice 
que o sacie?
Magali Vidal Domingues              

Sutil
Encanta-me o simples
A sutil delicadeza da essência
O que canta é a alma
Não o ego
Tatiana Linhares

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