LOBÃO – O INTENSO

Ele   já   foi chamado de tudo e recebeu os mais variados diagnósticos.  Da infância passada  junto a uma mãe superprotetora e de uma história familiar extremamente complicada,  passando por choques culturais, influências e amigos, ao período em que foi rotulado  como bandido, maconheiro, maluco e iconoclasta, a biografia “Cinquenta anos a mil” (Editora Nova Fronteira, 591, páginas,  R$ 15,00) mergulha fundo  na trajetória  que levou o menino Surupito a  se transformar em Lobão.

Escrito quando o cantor completou 50 anos,  o livro tem  momentos de psicodrama,  sem deixar de ser cômico, surpreendente e elucidativo.  Polêmicas e histórias  são passadas a limpo  pelo próprio Lobão, que discorre  sobre descobertas,  parcerias, drogas, prisões, brigas e amores,  não deixando de  falar sobre as amizades  com Cazuza e Júlio Barroso e  os encontros inesquecíveis  com Nelson Gonçalves, Elza Soares, Ritchie, Lulu Santos, Marina e tantos outros  da música popular brasileira.

Escrito pelo repórter  Cláudio   Tognolli, o livro mostra os bastidores das gravações dos discos,  a briga com a indústria fonográfica, culminando  com a espetacular campanha da lei que numera discos no Brasil e o inesperado  recebimento do “Grammy” de melhor disco de rock de 2007.   Em um relato de intensa e tempestuosa  existência, o livro é fruto de uma profunda pesquisa que vasculhou o acervo  dos maiores jornais e  revistas brasileiros,  entre outras fontes mais obscuras,  com documentos nunca divulgados.  Reúne ainda depoimentos  de pessoas próximas ao músico, além de fotos exclusivas. 

João Luiz Woenderbag Filho, mais conhecido como Lobão,  tem milhares de discos vendidos   por grandes gravadoras.  Lançou o  próprio selo no fim dos anos 1990 e revolucionou o mercado de venda de música no país.  Além da carreira de música, também  escreveu “Manifesto do Nada na Terra do Nunca,” em 2013,  “Em busca do Rigor e da Misericórdia – Reflexões de um Ermitão Urbano,” em 2015, e   em 2017 lançou “Guia Politicamente Incorreto dos anos 80 pelo Rock.”  Também em 2020 escreveu a segunda parte da autobiografia, com o nome “60 anos a mil.” 

Sua    mãe   era cardíaca e  suicidou-se  em 1984, deixando uma carta responsabilizando-o por sua morte. Vinte anos depois, seu pai também cometeu suicídio.  Foi casado com a atriz Daniele Daumerie, morta em 2014, muito tempo depois da separação, e desse casamento teve uma filha, Júlia. É casado com Regina  Lopes desde 1991 e mora em São Paulo. A esposa Regina é natural de Cachoeira do Sul e no livro Lobão traz relatos sobre suas visitas à cidade (ver trecho).

Em 2020, ano da pandemia do Corona Virus, Lobão  mergulhou em seu estúdio e produziu  uma sequência de músicas  que  marcaram a  sua formação musical,  intitulada “Canções de Quarentena.”

Repórter investigativo,Claudio Tognolli  tem passagens por órgãos de imprensa como  Veja, Folha de São Paulo e emissoras de rádio.  Com vários livros publicados,   recebeu prêmios como o Jabuti de Literatura  e o Prêmio Esso. 

Trecho:
“Decidi que precisava fazer aquilo logo, apesar de  todas as irmãs  e dona Romilda acharem uma loucura. Afinal, o seu Hélio era um coronel  de artilharia, muito rígido e disciplinado,  que criara suas filhas sob ordem-unida.  Mas eu estava decidido. Tinha que ser naquele momento.

Programamos a viagem a Cachoeira com grande temor e apreensão por parte da Regina e de suas irmãs... Ainda estava montado de Lobão... Vestia-me todo de preto, botas texanas, cinto de taxas e uma algema  eternamente pendurada na cintura. E foi assim que cheguei em Cachoeira. Quando nos aproximamos da  casa.... todas as irmãs   vieram ter conosco no portão. A Elisa, a Cláudia, a Mônica. Da Nena eu já era amigo. O seu Hélio me aguardava  lá dentro, andando de um lado para o outro com as mãos para trás. Não sei por quê, estava tranquilo e  confiante e apressei em entrar logo. Ao me deparar com o coronel, sinto seu semblante se retrair imediatamente, eu estendo minha mão e me apresento.”
(página 442)
    
ANIMAIS DO PANTANAL       
“Brasileirinhos do  Pantanal” (Editora Companhia das Letrinhas, 48 páginas,  R$ 49,90), de Lalau e Laurabeatriz,  é o quarto volume da coleção “Brasileirinhos,” voltado para o pantanal, a maior planície de inundação do mundo,  que guarda em suas matas uma diversidade enorme de animais, muitos deles correndo risco de vida devido às queimadas e intervenções  humanas. A ideia  é que a coleção ajude as crianças a conhecer  os biomas brasileiros e a ter orgulho da nossa biodiversidade. 

JORNALISMO DE LUTO  
No último domingo  faleceu Artur Xexéo, um dos mais conhecidos e admirados jornalistas e  escritores do país, aos 69 anos. Colunista do jornal O Globo e comentarista da Globo News, com passagem em diversos outros órgãos de imprensa, Xexéo  escreveu  “Janete Clair: a usineira de sonhos,” “O torcedor acidental,” e “Hebe, a biografia,” entre outras publicações. 

Leituras:
“As redes sociais  dão o direito de falar a uma legião  de idiotas  que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a  invasão dos imbecis.”
(Umberto Eco,  escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo de fama internacional.  Nasceu em cinco de janeiro de 1932 e  faleceu em 19 de fevereiro de 2016. Entre seus livros mais famosos, estão “O nome da rosa” e “O pêndulo de Foucault”).

Destaques:
IRRESISTIVELMENTE FATAL

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Autor: Glauber Vieira Ferreira

O autor é natural de Santa Cruz do Sul e  é formado em Administração pela Faculdade Dom  Alberto.  “Irresistivelmente fatal”  é seu livro  e  segue a linha policial do primeiro, “Cicatrizes de um segredo.” Profissionalmente atua como servidor público municipal e  a  escrita é seu passatempo mais prazeroso. 
Editora Zum.  168 páginas.

                                                                      
SALADA DE CORES 

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Autor:
Glauber Vieira Ferreira                  

Dirigido ao público infantil, este livro fala sobre as cores.  Elas estão em todas as coisas e   talvez a mais importante seja o arco-íris, que tem até um tesouro no final dele. Nascido em Varginha (MG) mas vivendo em Brasília desde criança, o autor participou de várias antologias e publicou  outros três livros:  “Mosaicos” (2015), “Poesia Estradeira” (2016) e “Observadores de formigas” (2019). 
Editora Coralina. 19 páginas. R$ 25,00.          

(As obras apontadas no Blog dos Livros  podem ser encontradas   junto à Livraria Coralina, na Rua 7  de Setembro, 578,  Cachoeira do Sul) 

30/07/21 às 08h50 Blog dos Livros

O ANJO MUSICAL

23/07/21 às 08h32 Blog dos Livros

A CELEBRAÇÃO DO LIVRO

16/07/21 às 10h00 Blog dos Livros

DA ÁFRICA PARA O BRASIL

09/07/21 às 08h40 Blog dos Livros

INICIATIVAS NA PANDEMIA