Lya Luft

12/01/22 às 08h40



Lya Luft nasceu em Santa Cruz do Sul em 15 de setembro de 1938.  Formou-se em pedagogia e línguas anglo-germânicas. Traduziu mais de 100 obras da literatura mundial, entre eles, autores clássicos como Thomas Mann, Rilke e Virginia Wolf. Lya também deu aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mesma instituição onde havia realizado o doutorado em literatura brasileira. Antes, havia concluído o mestrado em linguística pela Faculdade Porto-Alegrense (FAPA).  Escreveu romance, conto, crônica e poesia. Foi uma das escritoras mais relevantes e influentes da nossa literatura contemporânea. Transitava com naturalidade nos múltiplos gêneros. Escrevia sobre temas que a inquietavam, entre os quais binômios como a solidão e o luto, amor e desamor e a juventude e a velhice. Escritora de identidade literária peculiar. Com uma linguagem simples na forma conseguia extrair com lirismo a beleza onde a vida se mostrava intrinsecamente árida e triste. As parceiras, O Lado Fatal, O Rio do Meio, Pensar é transgredir e O tigre na Sombra são apenas algumas de suas publicações mais conhecidas. Todos clássicos. No entanto, sua obra estândar foi Perdas e Ganhos, de 2003. O livro vendeu quase um milhão de exemplares e passou 113 semana na lista dos mais vendidos. 

A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura.
Lya Luft

\

\

DIZENDO ADEUS
Estou sempre dando adeus:
também ao desencontro e ao
desencanto.
Estou sempre me despedindo
do ponto de partida que me lança de si,
do porto de chegada que nunca é
aqui.
Estou sempre dizendo adeus:
até a Deus,
para o reencontrar em outra esquina
de adeuses.
Estarei sempre de partida,
até o momento de sermos deuses:
quando me fizeres dar adeus à solidão
e à sombra.
Lya Luft

\

Tempo na cor vermelha
Fios de cabelo que com o vento voam, 
presos nos pensamentos somente por quem os possui. 
Um vestido que flutua: vermelho como uma rosa, 
que fluía como sangue.
Esta imagem emoldurada pela memória que constantemente vai se esvaindo ante o tempo. 
O poder devastador do esquecimento.
Uma feição momentaneamente feliz. 
Um sorriso que desbotou.
Sofia Veiga

Redes
O brilho da tecnologia
anda seduzindo
nosso foco.
Nada é totalmente nocivo.
Basta que se encaminhe!
A luz da tela
leva à cegueira
do corpo
e do convívio.
As redes não sociais
têm unido alguns
e afastado muitos,
pelo isolamento de uns
e o tom agressivo
de outros.
Quem se tornou 
unilateral
perde a chance
de ver o caleidoscópio
das opções,
desperdiça o direito
que tem 
à bandeja dos sabores.
Magali Vidal Domingues 

O homem que queria comprar o céu 
Era um afortunado ser, materialmente falando
Havia conquistado tudo que podia
Construiu vários impérios, seduzido todas as mulheres
Entretanto, encontrava-se tedioso, bufava o dia todo
Decidiu, então, subir até o topo de uma montanha
Gostaria de fazer uma troca com o divino
Ao chegar no monte mais alto, chamou o Altíssimo
-Senhor, desejo falar contigo
Deus revirou o olho, mas seguiu firme, já sabendo o que o homem queria
-Vamos trocar de lugar, deixe-me estar no topo por pelo menos um dia
Sua fantasia de ser poderoso ainda o assombrava, embora, ele não soubesse
Almejava agora ser como Messias
Achava que a sensação de fracasso passaria
Do dia para noite tudo iria mudar
20 minutos passaram 
Sentiu o triunfo e a glória pulsando
Mas a responsabilidade em seu colo ressurgia
Precisava manter a ordem 
Problemas apareciam, sentia o peso do poder
Iludido, por pensar que isso o completaria
Procurava uma solução, o que faria agora?
Não havia nada acima
Decidiu, então, renunciar de tudo, virou padre
Mudou de casa e nome, mas o sentimento de vazio o perseguia
Recitava a Bíblia 24 horas por dia
Pedindo para que passasse
Deus apareceu, olhou em seus olhos e disse:
Volte duas casas, errou a porta, aqui é a basílica e não a enfermaria
Clara Gabriela

ESPERO
Se te espero
É porque te quero
Nem cedo
Nem tarde
Talvez agora
Sem demora
Sem o tempo dos relógios
Que de mim te roubariam
Ao perceberem que te quero.
Te espero
Não sei a hora
Tanta demora
Deve ser mistério.
Mas quando chegares
E minhas mãos te encontrarem
Quando meu beijo for teu
E nada mais importar
E a minha boca for tua
Passe o tempo que passar
E a minha pele já nua
Que se arrepia ao tocar...
Ah! meu amor...
Terá valido a pena esperar
Rodrigo Menezes

Soltei as mãos
E os pés dançaram
Por noites inteiras
Até findar o solo
E alcançar as manhas azuladas.
Cris MB

Minha geração tem a poesia
Como oração e caderno.
Rodrigo Bantu

19/01/22 às 08h30

Robson Alves Soares

05/01/22 às 08h25

2022

29/12/21 às 08h42

Poemas de natal

22/12/21 às 08h30

Ana Luísa Amaral

15/12/21 às 08h35

Microrelatos da cidade

08/12/21 às 08h50

Jaider Esbell

01/12/21 às 09h15

Pier Paolo Pasolini

24/11/21 às 08h30

A poesia e a consciência negra

17/11/21 às 08h40

Alice Walker

10/11/21 às 08h25

Alcione Sortica

03/11/21 às 13h20

Walt Whitman

27/10/21 às 08h40

Danielle Magalhães