Lygia Fagundes Telles

13/04/22 às 08h48



Lygia Fagundes Telles ficou conhecida como a dama da literatura brasileira. Escritora, presidente da Cinemateca Brasileira e membro da Academia Paulista de Letras e da Academia Brasileira de Letras, Lygia foi sinônimo de saber e cultura. Nasceu em 1923; aos 15 anos publicou o seu primeiro livro de contos, "Porões e sobrados". Aos 31 anos, com o romance "Ciranda de pedra", com o qual chegou ao podemos considerar como uma maturidade literária, sendo consenso entre público e crítica. Em 1963, a dama da literatura nacional recebeu o Prêmio Jabuti com o livro "Verão no aquário" e em 1967 recebeu o prêmio Candango pelo roteiro do filme Capitu (adaptação da obra de Machado de Assis para o cinema).  Em 2005 recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa. Símbolo de nossa escrita, de nossa literatura. Admirada pela força de suas personagens femininas e pela contundência de suas histórias breves.  A obra de Lygia fez e sempre fará parte da vida de brasileiras e brasileiros desde a escola até a vida adulta. 

Não separe com tanta precisão os heróis dos vilões, cada qual de um lado, tudo muito bonitinho como nas experiências de química. Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora. Mas passa... E que interessa o castigo ou o prêmio? Tudo muda tanto que a pessoa que pecou na véspera já não é a mesma a ser punida no dia seguinte.
Lygia Fagundes Telles

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"Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa e não está feia ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim."
Lygia Fagundes Telles
In:As Meninas 

O poeta dizia que era trezentos, trezentos e não sei quantos. Eu sou apenas duas: a verdadeira e a outra. Uma outra tão calculista que às vezes me aborreço até a náusea. Me deixa em paz! – peço e ela se põe a uma certa distância, me observando e sorrindo. Não nasceu comigo, mas vai morrer comigo e nem na hora da morte permitirá que me descabele aos urros, não quero morrer, não quero! Até nessa hora sei que vai me olhar de maxilares apertados e olho inimigo no auge da inimizade: “Você vai morrer sim senhora e sem fazer papel miserável, está ouvindo?” Lanço mão do meu último argumento: tenho ainda que escrever um livro tão maravilhoso… E as pessoas que me amam vão sofrer tanto! E ela, implacável: “Ora, querida, as pessoas estão fazendo montes. E o livro não ia ser tão maravilhoso assim”. É bem capaz de exigir que eu morra como as santas.
Lygia Fagundes

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Feito por Botticelli
Na noite escura
o brilho das estrelas fez Van Gogh se apaixonar.
E isto, que ele nem conheceu a luz do teu olhar,
que me tira do ar, 
me faz pensar,
um sorriso para admirar,
detalhes para arrebatar.
Beleza que nem mesmo Da Vince seria capaz de pintar.
E quem poderia julgar,
se me perco simplesmente em teu olhar,
de espanto, de encanto
beleza impossível de pintar.
Tamires Lima
Retratos da Memória

Pandorga
pipa
raia
papagaio
papagaio de papel
brinquedo que voa
levando nas asas
sonhos de criança
que um dia pousa
no passado
tão distante
quanto presente
fazer grude/cola
com água e farinha
no fogo das lembranças
estrutura de varinhas
rabo colorido
de resto de tecido
pra abanar ao vento
bastante barbante
às vezes enrolado
num pedaço de pau
pra facilitar manuseio
na hora do recreio
Pandorga é feito jardim
do outro é mais colorido
dá piruetas incríveis
rabo balança
fazendo nosso olhar
dar voltas e voltas
parece fácil
quando criança
se encantar
Bernadete Saidelles

Claro o dia 
Alto vai você 
heroína herói da terra 
Passo pedra água 
Rebentando caminhos novos por onde pisas
Vai ao desconhecido
Alarme alcance
Retoma tua vida
O passado é passo que não se dá mais
Mirela Kruel

Mulher Patchwork
Teu fervilhar vem das entranhas
Desassossego completo
Hormônios em estado de revolução
Abalos sísmicos, reboliço total 
Envolta em cataclismas
 Apaziguados pelos abraços
Lambe, lambe, cura tuas feridas
Com o disperso, cose um Patchwork
Nutrida de secretos vinhos 
A vida fervilha em ti
Centelha de tons ensolarados
São Luzeiros na tua estrada
Agarras os ares, beija o vento 
Dizes adeus aos desalentos
 Vestida de muitas primaveras
Confabula com as Moiras  
És tecelã, fiandeira da vida.
Magalhe Oliveira

DESUMANIZAÇÃO
A maior decomposição química da humanidade
Homens se transformando em ratos
Ratos animais fugitivos
E os gatos?
Os gatos...
Que fujam.
Muita luta acontecerá para superá-los.
Jorge Ritter

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