Um par infernal

16/06/22 às 08h30 - por Gisele Wommer



Aconteceu há algum tempo em São Carlos, interior de São Paulo. Era uma moça muito bela e de família muito rica que adorava dançar. Seus parentes eram extremamente religiosos, daqueles que não faziam uma única refeição sem antes uma prece. Porém nem sempre as ideias dos jovens estão condizentes com a mente e os costumes dos pais, este caso era um.

Ninguém sabe exatamente por que, mas os jovens da pequena cidade resolveram fazer um baile de carnaval fora de época, alguns afirmam que foi ideia da própria moça e que a festa teria sido na sua casa. Até aí não parecia haver problemas, exceto que o dia escolhido era uma Sexta-Feira Santa e o fato desagradou os religiosos da cidade, que consideraram um pecado gravíssimo.

A mãe da moça insistiu para que ela não fosse, tentou alertá-la de todas as manei-ras. Quase vencida desafiou a jovem, afirmando que ela não conseguiria par algum, uma vez que uma festa naquela data não atrairia público.

— Vou dançar hoje, nem que seja com o diabo — a moça disse antes de sair, e aquela frase ecoou pela eternidade.

No fim a mãe estava errada, muitos jovens foram a tal festa e a filha arrumou um par. Um belo forasteiro que usava um chapéu bailou com ela boa parte da noite, e ele dançava muito bem. No fim, os olhares em censura ou desconfiança fizeram com que o casal parasse a dança. O homem prestou bela referência e despediu-se da moça, mas ao tirar o chapéu ele mostrou os chifres. Entre as exclamações da multidão ele revelou sua verdadeira face, que não era bela e nem humana.

A profecia da moça se cumpriu. Ela dançou com o diabo. A festa acabou logo que ele sumiu entre uma nuvem cinza de fumaça. E a moça nunca mais foi a mesma. Assim que voltou para casa as partes do seu corpo onde o homem tocou começaram a necrosar. Ela entrou em estado catatônico e depois de alguns dias morreu.

Até algum tempo atrás os moradores costumavam a visitar seu túmulo no cemitério, mas depois ele misteriosamente sumiu do local, como se a moça nunca estivesse existi-do. Dizem que o diabo veio buscá-la e que já tinha levado sua alma e algum tempo de-pois voltou para buscar o que sobrou do seu corpo.

Curiosidade: A lenda é tão famosa que inspirou a canção: A moça que dançou com o diabo de Vieira e Vieirinha e um filme curta-metragem, de nome homônimo, premiado em Cannes em 2016.

“Num baile que fez em casa, ela dançou com o satanás”. Vieira e Vieirinha.

23/06/22 às 09h26

O caso Varginha

09/06/22 às 08h40

A Loira do Banheiro

02/06/22 às 08h45

O cavalo e o cemitério

26/05/22 às 08h37

Quadros de crianças chorando

12/05/22 às 11h00

Um personagem sombrio

05/05/22 às 08h30

A Caixa de Dibbuk

28/04/22 às 09h00

A garota poltergeist

21/04/22 às 09h36

Os fantasmas do Theatro

14/04/22 às 09h55

A moça do táxi