Blog Da Poesia

XXV Prêmio Paulo Salzano Vieira da Cunha de Poemas

06/07/2022 09:15 - por Tiago Vargas

O blog da poesia desta semana traz os poemas destacados no XXV Edição do Prêmio Paulo Salzano Vieira da Cunha de Poemas, 2022. Foram 217 inscrições no concurso, divido nas três categorias, infantil, juvenil e adulto. Obrigado a todos que participaram, incentivaram, divulgaram nosso concurso...

Gratidão aos patrocinadores e apoiados; Fisk, Rohde, Jornal Do Povo.

Gratidão aos jurados, Mirela Kruel, Denise Brum e Elin Almansa.

Parabéns aos vencedores...

 

2 – Lugar Categoria infantil

Sem dúvida
Estou sem ideia
Olhei a janela
Apagou a vela
O gato no telhado
Pulando pra todo lado
Com o rabo espichado
Enquanto escrevia
Eu percebia
Que a lua me perseguia.
Miguel Trindade Carneiro   

1 – Lugar Categoria Infantil       

O ciclo das rochas
A vida é como uma rocha
Ao nascer
Você é uma lava
Que vira criança e solidifica na rocha ígnea 
Que vira adolescente e os sedimentos de criança
Faz você virar uma rocha sedimentar
Que vira adulto e passa por pressão e temperatura
que faz você virar uma rocha metamórfica
que vira idosa e passa por temperaturas
que você voltar a ser lava
que seria a morte.
Lorenzo Lemes   

2 Lugar – Categoria Juvenil

Uma única peça de xadrez
Uma carta aberta para não enviar
Se sentir culpado ao errar?
Não preciso ser ouvida.
Nem preciso ser lida
Tenho sentimentos sem nem aguardar
Aguardar alguém ler
É como esperar um amor correspondido, nunca surge
Só surgem silêncio e caos
Onde me sinto perdida, pois aqui não pertenço
Pertenço a sentimentos e palavras ditas
A amores correspondidos e cartas enviadas
Sou eu, uma única peça no xadrez
Procurando um lugar onde me encaixar
E a culpa some ao chegar
Pois meu lugar decidi e aqui vou ficar.
Sofia Streck Bundt                              

1 Lugar – Juvenil

Alma Imperfeita
Jovem alma perdida
Vagando em rumos na estrada maldita
Cheia de solidão 
Presa nas profundezas
Alma ferida de mentiras
Imperfeitas e sozinha
Vagando pelas noites escuras
Memórias machucadas
Verdades não sendo faladas
Viajando pelo desespero
Com o coração partido no peito
Derramando lágrimas infinitas
Se escondendo na escuridão da solidão
Gritando por uma ajuda
Seus olhos trêmulos por tristezas
Suas mágoas a serem relembradas
Mente vazia sem autoestima
Corpo sangrento com medo
Boca fechada de mentiras
Alma cheia de feridas
Alma que corre pela garganta
Alma que um dia poderá se amar
Não terá dor para se curar.
Stella Beatriz                                       

2 Lugar – Adulto

Metamorfoses
“All time is unredeemable’’.
T.S Eliot

O que foi primavera passou ..., entretanto a moldura resiste;
Não ao tempo que é de ferro e finca nos ossos, mas as outras coisas que, por tão secretas e às vezes tristes, nos relutam.
Em algum lugar os desejos, cão que se alimenta de variadas formas, está solitário na penumbra das palavras, 
Pois é tempo de seguirmos partidos...
Esse tempo nosso tempo, a hora mansa da vida que se desata do sono em cortes
Da brisa flutuante no lábio, lamento à falta do beijo.
Quantas vezes o amor as paixões os desejos
Por quanto permaneceram postados à soleira à espera de seu dono?
O primeiro amor a comunhão com Deus com outra carne
A pele macia o peso a consciência o refúgio.
Tempo de braços tornos pernas flácidas sonhos quebrados.
O homem morto!
Envelheci tempo em suas mãos, mas nem verdade nem mentira nos uniu e, sim, as coisas em seu plano.
Envelheci e sei do dia em que nenhum poema fará sentido,
Como as coisas no obscuro do pensamento partirá
Abrupto ou lentamente, sem acenos mágoas ou choros convulsos
Um dia de mãos desencontradas e bambas,
De olhos apagados em luzes talvez mais claras do que as que nos rodeiam,
Num largo obscuro de vazio memória
Tudo será apenas fotografia
Emoldurada na parede.
Ederson Fogliarini

1 Lugar – Adulto

Poema IV
Eu me resumo à insignificância de ser
Os grandes sobem como uma curva geométrica em um gráfico de duas métricas
A minha cabe em uma linha de caligrafia, seriamente tendenciosa à queda
Comem cereal matinal com doses de elegância e sais minerais do mar de Poseidon
Se for de letrinhas, há de vir já com análise sintática e predicado classificado
Se o sujeito for indefinido, há instruções para encontrar um definido em inglês
Insignificância é não significar, não é não existir
Você existe, mas ninguém vê
Aliás, a aparência de alguém que não significa, tampouco importa, naturalmente
Os espelhos dos grandes sempre respondem: é você, meu rei, minha rainha
Quando há dúvidas, olham-se novamente, afinal, cada um é único 
O reflexo só é idêntico se o espelho for mágico de cristal, não mágico comum
O espelho, portanto, há de ter uma função gratificada para os grandes
Já, para mim, basta cereal com todas as letras e leite de vaca
E sabe-se lá o que mais um dia insignificante para um insignificante pode aprontar
Veja bem: É aprontar, não apresentar
A não ser que quando você caia, alguém o veja
Bem, aí será uma apresentação, que de tão natural, dispensa o ensaio e sai irreparável
Mas o dia de um insignificante é uma sucessão de horas sem sentido
Que tanto faz se amanhece ou escurece 
Poderia até fazer uma pausa de anos no meio de um dia
Um buraco sem fim no meio do nada: o habitual vazio
E como em dimensões paralelas, se vive 
Não é matrix e nem precisa
Setembro que o diga. 
André de Moura Carvalho

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23/11/2022 09:23

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