Como “corri” dos meus problemas

10/06/22 às 15h00 - por Sofia Rohde



Em 2019 eu tinha pela frente uma prova que me desafiava. Vinha estudando em média 9 horas por dia, sentada na frente de um computador, lendo conteúdos de medicina ou fazendo questões sobre. Tive muita dificuldade nos conteúdos dessa prova. Não demorou muito para começar a me sentir mais cansada, desanimada, triste, com pensamentos pessimistas, com saudade daquilo que “poderia ter sido”, da famosa zona de conforto que tinha saído.

Por coincidência li em uma das questões que estava fazendo, sobre os benefícios do exercício físico em paciente com depressão e ansiedade. Pensei muito sobre o assunto, fiz uma analise bem profunda do meu estado emocional junto com uma Psicóloga e achei que deveria tentar. Fazia anos que tinha o desejo de correr, mas sempre achava desculpas.

Pois então, impus a meta de que pelo menos 4 vezes na semana iria correr um pouquinho. Aos poucos fui evoluindo e de 2 min correndo (o que conseguia no início do processo) passei aos 40 minutos ininterruptos (depois de meses indo de 1 em 1 minuto). 

\

Todo esse depoimento pessoal para relatar que pude sentir o que os cientistas vêm comprovando sobre os benefícios do exercício físico sobre nosso humor e saúde mental. A corrida me ajudou a passar por esse momento de ansiedade intensa, medo e insegurança. Desviei a atenção, coloquei empenho e foco em outro assunto, me desafiei.

\

Nos três primeiros meses desse ano, uma pesquisa, realizada pela Universidade Federal de Pelotas em associação com a Vital Strategies, comprovou um aumento de 40% na incidência do diagnostico de depressão no Brasil em relação ao período pré-pandemia. Esse aumento não aconteceu apenas entre os brasileiros, foi global.

O período de isolamento social, o sentimento de temor ao que poderia acontecer, a perda de pessoas queridas, perda de empregos, separações dentro da família e outros inúmeros fatores foram citados como gatilhos para esse aumento. Este tempo de mudanças e incertezas tem feito com que mais pessoas procurem alternativas para aliviar o estresse, ansiedade e até mesmo a depressão. Tratamentos ditos complementares (não baseados no uso de medicação), ou mesmo a prevenção, como foi meu caso. E o exercício físico está entre eles!

Já sabemos que o exercício físico aumenta o hormônio que nos dá sensação de alegria e prazer (endorfina) e que diminui a liberação do cortisol (hormônio do estresse), ambos fatores que ajudam na regulação do nosso humor para o lado positivo. Também, dependendo do tipo de exercício realizado, se em grupo traz os benefícios da convivência social e criação de laços e possibilidade de novas amizades como no futebol, basquete, padel, tênis. Para os idosos praticantes, podemos reverter parcialmente os efeitos do envelhecimento das funções fisiológicas e preservar a reserva funcional em idosos, enquanto age, como fator protetivos e opção terapêutica para ansiedade, depressão e insônia!

\

As novidades estão em estudos recentes que vem demonstrando que o exercício físico pode ser considerado uma opção de tratamento único para depressão leve e moderada, tendo em dois estudos demonstrado mesmo efeito que o uso de uma classe de remédios antidepressivos muito utilizada pelos médicos. Temos até estudos que sugerem que o exercício físico pode estimular o crescimento de novos neurônios e podem também estimular a liberação de proteínas que fazem os neurônios “viverem” mais! 

\

Vale lembrar que todo exercício físico é valido e se acompanhado por um profissional capacitado ainda mais!

Então pessoal, vamos falar mais ao longo do ano sobre saúde mental e emocional. Vou trazer para vocês ferramentas simples, como o exercício físico que descrevi aqui, para usarmos na prevenção e tratamento das afecções mentais e emocionais. O seu bem-estar emocional, assim como sua saúde física são seus bens mais preciosos, e não importa o quão mínimo incomodo você esteja sentindo, compartilhar ele com um profissional de saúde capacitado é de extrema importância e nunca pode ser ignorado ou desvalorizado!

Depressão e ansiedade são doenças reconhecidas pela medicina assim como a Hipertensão ou a Diabetes. Não são “coisas da sua cabeça” e não dependem apenas da sua vontade de se ajudar ou melhorar. Por isso, nao se esqueçam que o acompanhamento por profissionais especializados nesses assuntos é essencial e fundamental, independente se para tratamento ou prevenção!

PS: Tema sugerido pela leitora Cristiane Jung. Escrito com o apoio da Psicóloga Cristiane Pradella e da Educadora Física - Personal Trainer Ariane Paz.