Blog dos Espíritos

Esquecimento do passado

29/04/2024 09:50 - por Rosane Sacilotto

Misericórdia divina
Todas as leis de Deus são sábias e perfeitas e visam sempre o auxílio seguro de nossas trajetórias rumo à perfeição. Dentre essas misericordiosas leis, destaca-se aquela determinando o esquecimento de quem fomos e de como agimos em nossas muitas vidas pregressas, contudo, temporariamente, apenas durante o período quando nos encontramos mais uma vez reencarnados.

Muitos, porém, acreditam que deveríamos lembrar do passado, sabendo, assim, exatamente, quais as lutas e desafios pelos quais devemos passar nesta encarnação. Porém, no estágio evolutivo em que nos encontramos, o nosso passado não é nada agradável, assim, este esquecimento temporário é necessário e oportuno aos nossos Espíritos.

Além de nos oportunizar uma nova etapa de aprendizado e trabalho em clima renovado e cheio de esperança, evita que reconheçamos nas pessoas com quem convivemos aquelas a quem magoamos ou fomos por elas ofendidos. 

Além disso, qual seria o mérito que teríamos vencendo uma dificuldade do passado já conhecendo todas as suas versões, sabendo exatamente o que seria preciso fazer? O esquecimento do passado não nos tira o progresso já alcançado, pois os conhecimentos adquiridos anteriormente ficam arquivados em nossa memória espiritual e se expressam em nossa vida como impulsos e tendências. 

Lei de Causa e Efeito
O espírita, consciente da Lei de Causa e Efeito, sabe que as provas de seu caminho têm uma razão de ser e se alicerçam nas ações do seu pretérito espiritual, por isso, com o esquecimento do passado, recebe as dificuldades de hoje como reajuste e oportunidades de progresso em sua jornada evolutiva.

Como as leis de Deus são justas e nelas não existe acaso, cada um de nós está sempre no lugar certo e no momento certo, ninguém está inserido em uma família, grupo ou local por acaso. Por isso, cabe a nós aceitar e procurar compreender aquilo que realmente devemos fazer, aproveitando nesta existência a oportunidade de reconciliação com os adversários de ontem.

Na Codificação Espírita, vamos encontrar em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” conselhos e ensinamentos para elucidar nosso tema: “Em vão se objeta que o esquecimento constitui obstáculo a que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores. Havendo Deus entendido de lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio.

Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais. Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas as a quem odiara, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no íntimo. De todo modo, ele se sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido. Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial”.

“O homem não conhece os atos que praticou em suas existências pretéritas, mas pode sempre saber qual o gênero das faltas de que se tornou culpado e qual o cunho predominante do seu caráter. Bastará, então, julgar do que foi, não pelo que é, sim pelas suas tendências”. (O Livro dos Espíritos, questão 399).

Preocupemo-nos com o presente
Desta forma, não devemos nos preocupar em demasia com o passado, se quisermos ter uma noção de nossas encarnações anteriores, basta que observemos nossas atuais inclinações, nossas tendências naturais, que representam traços do nosso caráter evolutivo, construídos ao longo de nossas vidas e experiências pregressas. Se as reconhecermos distantes da boa moral, façamos uma avaliação íntima para corrigir os aspectos identificados, neutralizando-os através de boas ações, atitudes nobres e padrões caridosos.

Como bem nos instrui “O Evangelho Segundo o Espiritismo”: “Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu, nasce qual se fez; em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes: se se vê punido, é que praticou o mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações”.

Que possamos viver bem o agora, e as marcas indesejadas do passado serão totalmente superadas, podendo então ser lembradas sem qualquer impedimento maior. Quanto às boas características que identificamos, que possamos reforçá-las cada vez mais, pois são indicadoras de que em existências anteriores buscamos o bem, acima de tudo.

KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”; “O Livro dos Espíritos”.

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